Otimismo, Autoeficácia e Lócus de Controle na Adesão ao Tratamento de Pessoas Hipertensas

Lucila Moraes Chaves Santos, Laís Gabriela Rocha Almeida, André Faro

Resumo


Este estudo analisou a relação do otimismo, da autoeficácia e do lócus de controle na adesão ao tratamento de pessoas hipertensas, bem como os principais preditores da adesão na amostra selecionada, considerando-se as variáveis sociodemográficas e os construtos psicológicos avaliados. A amostra foi composta de 100 hipertensos, e foram utilizados cinco instrumentos: questionário sociodemográfico e clínico, a Escala de Adesão Terapêutica de Morisky, o Teste de Orientação na Vida, a Escala de Autoeficácia Geral Percebida e a Escala de Lócus de Controle da Saúde. Por meio da técnica de regressão logística, verificou-se que praticar atividade física, não consumir álcool, ter maiores pontuação no lócus de controle acaso e na autoeficácia foram preditores de média e alta adesão ao tratamento. Finalmente, os resultados demonstraram a necessidade de mais investigações acerca da relação entre variáveis psicológicas e aderência ao tratamento hipertensivo, especialmente no que se refere ao lócus de controle acaso e sua influência sobre os comportamentos de saúde.


Palavras-chave


adesão ao tratamento, otimismo, autoeficácia, lócus de controle, hipertensão

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DOI: http://dx.doi.org/10.20435/pssa.v11i3.691

ISSN: 2177-093X


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