Dor Crônica sob a Ótica Comportamental: Compreensão e Possibilidades de Intervenção

Cristiane Rodrigues Lopes, Vanessa Ferrari, Cynthia Carvalho Jorge

Resumo


A média da população brasileira que se queixa ou sofre de dor crônica é ampla e tem-se caracterizado em um grande desafio para as ciências da saúde. Portanto o objetivo deste trabalho foi realizar uma análise conceitual a respeito da compreensão da dor crônica sob a perspectiva comportamental, abordando técnicas de intervenção psicológicas utilizadas para o manejo da dor. Para tanto, foi realizada uma busca na literatura por meio de artigos e livros, que relatam a aplicabilidade das teorias comportamentais no tratamento da dor crônica e alguns estudos científicos que corroboram a eficácia dessa teoria para o manejo da dor. A partir da literatura encontrada, conclui-se que as teorias comportamentais contribuem para o entendimento e tratamento da dor crônica, tendo em vista que contingências ambientais podem ter um papel de destaque no início, na gravidade e na manutenção da dor. Acredita-se, portanto, que esses achados possam ser de grande valia para os profissionais contribuindo com melhores práticas no âmbito da saúde.


Palavras-chave


dor crônica, comportamental, terapia comportamental, manejo da dor

Texto completo:

HTML PDF

Referências


Angelotti, G. (2001). Tratamento da dor crônica. In B. Rangé (Org.), Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria (pp. 535-545). Porto Alegre: Artmed.

Barros, J. R. F., Duarte, M. G. O., & Lopes, A. P. (2014). A terapia cognitivo-comportamental no tratamento de pacientes com dor crônica. Caderno de Graduação-Ciências Biológicas e da Saúde, 2(2), 77-90. Disponível em https://periodicos.set.edu.br/index.php/fitsbiosaude/article/view/1536/1045

Borges, C. S., Luiz, A. M. A. G., & Domingos, N. A. M. (2009). Intervenção cognitivo-comportamental em estresse e dor crônica. Arquivos de Ciências da Saúde, 16(4), 181-6.

Burd, J. M. F. M. (2010). Psicossomática hoje. In O. Lobato. O problema da dor (pp.235-254). Porto Alegre: Artmed, 2010.

Callaghan, G. M., Duenas, J. A., Nadeau, S. E., Darrow, S. M., Merwe, J. V., & Misko, J. (2012). An empirical model of body image disturbance using behavioral principles found in functional analytic psychotherapy, acceptance and commitment therapy. International Journal of Behavioral Consultation Therapy, 7(2), 16-24.

Cattivelli, R., Tirelli, V., Berardo, F., & Perin, S. (2012). Promoting appropriate behavior in daily life contexts using functional analytic psychotherapy in early-adolescent children. International Journal of Behavioral Consultation Therapy, 7(2), 25-32

Chapman, C. R; Bonica, J. J. Acupe pain, current concepts. New York: Upjohn, 1983.

Cruz, C. R. R. (2011). Dor crónica: Uma perspectiva biopsicossocial (Dissertação de Mestrado, Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra). Disponível em https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/47960/1/DOR%20CR%C3%93NICA%20UMA%20PERSPECTIVA%20BIOPSICOSSOCIAL.pdf

Dahl, J., Wilson, K. G., Luciano, C., & Hayes, S. C. (2009). Mecanismos psicocomportamentais em dor. In O. Alves Neto, C. M. C. Costa, J. T. T. Siqueira, M. J. Teixeira (Orgs.), Dor: Princípios e prática (Cap. 18, pp. 247-265). Porto Alegre: Artmed.

Dimeff, L., & Linehan, M. M. (2001). Dialectical behavior therapy in a nutshell. The California Psychologist, 34(3), 10-13.

Ehde, D. M., Dillworth, T. M., & Turner, J. A. (2014). Cognitive-behavioral therapy for individuals with chronic pain: efficacy, innovations, and directions for research. American Psychologist, 69(2), 153. doi: 10.1037/a0035747

Ferreira P. E. M. S. Dor crônica: Avaliação e tratamento psicológico. In A. C. Andrade Filho (Ed.), Dor: Diagnóstico e tratamento (pp. 43-52). São Paulo: Roca, 2001.

Fordyce, W. E. (1976). Behavioral methods for chronic pain and illness. [S.l.]: C. V. Mosby.

Fordyce, W. E.; Fowler, R.; Lehmann, J.; Delateur, B.; Sand, P. & Trieschmann, R. (1973). Operant conditioning in the treatment of chronic pain. Archives of Physical Medicine and Rheabilitation, 54, 399-408

Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (2012). Acceptance and commitment therapy. New York, NY: Guilford Press.

Holtz, V. V., & Stechman Neto, J. (2008). Epidemiologia da dor em pacientes de Curitiba e região metropolitana. Revista Dor, 9(2), 1217-24.

Hunziker, M. H. L. (2010). Comportamento de dor: Análise funcional e alguns dados experimentais. Temas em Psicologia, 18(2), 327-333. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v18n2/v18n2a07.pdf

Kabat-Zinn, J. (2007). La pratica del atención plena. Barcelona: Kairós.

Keefe, F. J. (1982). Behavioral assessment and treatment of chronic pain: Current status and future directions. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 50(6), 896-911. doi: 10.1037//0022-006X.50.6.896

Keefe, F. J., Dunsmore, J., & Burnett, R. (1992). Behavioral and cognitivebehavioral approaches to chronic pain: recent advances and future directions. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 60(4), 528-536

Kohlenberg, R.J, & Tsai, M. (2001). Psicoterapia Analítica Funcional: Criando relações terapêuticas intensas e curativas (R. R. Kerbauy, trad.). Santo André, SP: ESETec. (Publicado originalmente em 1991).

Kreling, M. C. G. D., Cruz, D. A. L. M., & Pimenta, C. A. (2006). Prevalência de dor crônica em adultos. Revista Brasileira de Enfermagem, 59(4), 509-13.

Lobato, O. (2010). O problema da dor. In J. M. F. M. Burd, Psicossomática hoje (Cap. 17, pp. 235-254). Porto Alegre: Artmed.

Marquez, J. O. (2011). A dor e os seus aspectos multidimensionais. Ciência e Cultura, 63(2), 28-32. doi: 10.21800/S0009-67252011000200010

Martins, M. A., & Vandenberghe, L. (2006). Psicoterapia no tratamento da fibromialgia: Mesclando FAP e ACT. In H. J. Guilhardi & N. C. Aguirre (Orgs.), Sobre comportamento e cognição (Vol. 18: Expondo a variabilidade, pp. 238-248). Santo André, SP: ESETec.

Martins, M. A., & Vandenberghe, L. (2007). Intervenção psicológica em portadores de fibromialgia. Revista Dor: Pesquisa, Clínica e Terapêutica, 8(4), 1103-1112.

McCracken, L. M., & Samuel, V. M. (2007). The role of avoidance, pacing, and other activity patterns in chronic pain. Pain, 130(1), 119-125. doi: 10.1016/j.pain.2006.11.016

Moreira, M. B., & de Medeiros, C. A. (2009). Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed.

Morley, S., Eccleston, C., & Williams, A. (1999). Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials of cognitive behaviour therapy and behaviour therapy for chronic pain in adults, excluding headache. Pain, 80(1-2), 1-13.

Neves, M. S., & Molina, R. A. (2015). Terapia analítico comportamental e cognitivo-comportamental em grupo: Intervenções com portadores de doença crônica. UNIciências, 15(1), 129-140. Disponível em http://pgsskroton.com.br/seer/index.php/uniciencias/article/viewFile/602/571

Oliveira, M. A., & Duarte, A. M. M. (2004). Controle de respostas de ansiedade em universitários em situações de exposições orais. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 6(2), 183-199.

Oshiro, C. K. B., Kanter, J., & Meyer, S. B. (2012). A single-case experimental demonstration of functional analytic psychotherapy with two clients with severe interpersonal problems. International Journal of Behavioral Consultation Therapy, 7(2), 111-116.

Paula, A. A. D. D., Carvalho, E. C. D., & Santos, C. B. D. (2002). The use of the" progressive muscle relaxation" technique for pain relief in gynecology and obstetrics. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 10(5), 654-659. doi: 10.1590/S0104-11692002000500005

Penido, M. A (2004). A influência das habilidades sociais em pacientes fibromiálgicas (Dissertação de mestrado, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Penido, M. A., Rangé, B., & Fortes, S. (2005). Um estudo investigando as habilidades sociais de pacientes fibromiálgicas. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 1(2), 75-86.

Penido, M. A., & Pereira, F. M. (2010). Aplicabilidade teórico-prática da terapia cognitivo comportamental na psicologia hospitalar. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 6(2), 189-220. doi: https://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20100021

 

Pezzato, F. A., Brandão, A. S., & Oshiro, C. K. B. (2012). Intervenção baseada na Psicoterapia Analítica Funcional em um caso de transtorno de pânico com agorafobia. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 15(1), 74-84.

Picavet, H. S. J., & Schouten, J. S. A. G. (2003). Musculoskeletal pain in the Netherlands: Prevalences, consequences and risk groups, the DMC3-study. Pain, 102(1-2), 167-178.

Pimenta, C. D. M., & Portnoi, A. G. (1999). Dor e cultura. In M. M. M. J. Carvalho (Org.), Dor: Um estudo multidisciplinar (pp. 159-73). São Paulo: Summus.

Pincus, T., & Morley, S. (2001). Cognitive-processing bias in chronic pain: a review and integration. Psychological Bulletin, 127(5), 599-617.

Queiroz, M. A. M. (2009). Psicoterapia comportamental e fibromialgia: Alvos para intervenção psicológica. Santo André, SP: ESETec.

Rachlin, H. (2010). Dor e comportamento. Temas em Psicologia, 18(2), 429-447. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v18n2/v18n2a17.pdf

Rangé, B. (2001). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria. Rio de Janeiro: Artmed

 

Sallum, A. M. C., Garcia, D. M., & Sanches, M. (2012). Dor aguda e crônica: Revisão narrativa da literatura. Acta Paulista de Enfermagem, 25(1), p. 150-154. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v25nspe1/pt_23.pdf

Salvador, M., Rodrigues, C. C., & Carvalho, E. C. (2008). Emprego do relaxamento para alívio da dor em oncologia. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, 9(1). Disponível em: http://www.redalyc.org/pdf/3240/324027961015.pdf

Salvetti, M. G., Cobelo, A., Vernalha, P. M., Vianna, C. I. A., Canarezi, L. C. C. C. C., & Calegare, R. G. L. (2012). Efeitos de um programa psicoeducativo no controle da dor crônica. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(5), 896-902. https://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692012000500011

Sardá Júnior, J. J., Nicholas, M. K., Pimenta, C. A. D. M., & Asghari, A. (2012). Preditores biopsicossociais de dor, incapacidade e depressão em pacientes brasileiros com dor crônica. Revista Dor, 13(2), 111-118. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rdor/v13n2/03.pdf

Sardá Júnior, J. J. (2015). Avaliação psicológica do paciente com dor. In F. P. Minson, M. C. Morete, M. A.; Marangoni, Manuais de especialização – Dor (1a ed., Cap. 7, pp. 127-146). São Paulo: Manole.

Sarti, C. A. (2001). A dor, o indivíduo e a cultura. Saúde e Sociedade10(1), 3-13. doi: https://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902001000100002

Skinner, B. F. (1938). The behavior of organisms. New York: Appleton-Century-Crofts.

Skinner, B. F. (1975). Contingências de reforço: Uma análise teórica (Coleção Os Pensadores, vol. 51, R. Moreno, Trad.). São Paulo: Abril Cultural.

Skinner, B. F. (1989/1991). Questões recentes na análise comportamental (M. da P. Villalobos, trad.). Campinas, SP: Papirus.

Sousa, D. D. D., & de-Farias, A. K. C. (2014). Dor crônica e Terapia de Aceitação e Compromisso: Um caso clínico. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 16(2), 125-147. Disponível em http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/viewFile/696/416

Souza, B. D., & Laurenti, C. (2017). Uma interpretação molar da dor crônica na fibromialgia. Psicologia: Ciência e Profissão, 37(2), 363-377. doi: 10.1590/1982-3703001102016.

Turk, D., & Okifuji, A. (2002). Psychological factors in chronic pain: Evolution and revolution. Journal of Consulting & Clinical Psychology, 70(3), 678-690

Turk, D. C., Burwinkle, T., & Thieme, K. (2011). Intervenções psicológicas. In J. H. V. Roenn, J. A. Paice, & M. E. Preodor. Current: Diagnostico e tratamento da dor (Cap 05, pp. 50-62). Porto Alegre: AMGH.

Vandenberghe, L. (2002). A prática e as implicações da análise funcional. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 4(1), 35-45.

Vandenberghe, L. (2007). Terapia comportamental construtiva: Uma outra face da clínica comportamental. Psicologia USP, 18(4), 89-102

Vandenberghe, L., & Assunção, A. B. (2009). Concepções de mindfulness em Langer e Kabat-Zinn: Um encontro da ciência Ocidental com a espiritualidade Oriental. Contextos Clínicos, 2(2), 124-135.

Vandenberghe, L., Cruz, A. C. F. D., & Ferro, C. L. B. (2003). Terapia de grupo para pacientes com dor crônica orofacial. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 5(1), 3140. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452003000100005

Vlaeyen, J., de Jong, J., Onghena, P., Kerckhoffs-Hanssen, M. & Kole-Snijders, A. (2002). Can pain-related fear be reduced? The application of exposure in vivo. Pain Research and Management, 7(3), 144-153.

Winterowd, C., Beck, A. T., & Gruener, D. (2003). Cognitive therapy with chronic pain patients. New York: Springer Publishing Company.




DOI: http://dx.doi.org/10.20435/pssa.v11i3.646

ISSN: 2177-093X


Indexada em:

   

 

 

     

  

 

  

Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.